Compras públicas verdes: Senado aprova preferência por licitações sustentáveis

A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado aprovou, em 15 de julho, o PL 1.086/2024 – que altera a Lei de Licitações (14.133/21) para priorizar bens e serviços sustentáveis em compras governamentais.

Na prática, o governo federal deverá dar preferência, mesmo em empate de preços, a:

  • veículos híbridos, flex, movidos a biocombustíveis ou hidrogênio;
  • combustíveis com menor pegada de carbono (como o etanol);
  • produtos reciclados, recicláveis, biodegradáveis, compostáveis e aqueles com maior eficiência no uso de energia, água ou materiais.

A implementação ficará a cargo da Comissão Interministerial de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (CICS), cujo decreto de criação já está em vigor. O relator, senador Cid Gomes, destaca que o projeto “se alinha aos objetivos de transição energética e produção mais limpa” e que a urgência da pauta tem respaldo técnico.

Economia e impacto

Para o relator Fernando Farias, além de reduzir emissões, a compra de biocombustíveis como o etanol pode trazer economia a médio prazo, já que eles permanecem mais baratos que a gasolina na proporção atual de mistura (70–75%).

Análise jurídica

  • Compatibilidade com a 14.133/21: A inclusão de margens de preferência está amparada nos instrumentos previstos pela nova Lei de Licitações, como catálogo eletrônico e critérios técnicos suplementares.
  • Risco de burocracia: A emenda da CI delega à CICS o poder de definir os produtos elegíveis, permitindo ajustes mais rápidos do que alterar a lei regularmente.
  • Desafios práticos: Ainda não está claro como será a aferição de critérios (eficiência, reciclagem, compostabilidade), nem como se evitará a segmentação de fornecedores ou possível aumento de custos iniciais.

O PL 1.086/2024 representa um passo estratégico rumo a atos públicos mais sustentáveis, em consonância com o propósito da Lei 14.133/2021 de adaptar o Estado ao paradigma ESG. Resta acompanhar sua votação no plenário da CI, Tramitação na Câmara e regulamentação pela CICS, para avaliar se o impulso verde se torna prática eficaz.

Fonte: Senado

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